Tijolo ecológico: o que é, tipos, vantagens e desvantagens

O tijolo ecológico utiliza príncipios sustentáveis na sua fabricação e execução. Confira o que é, principais tipos, vantagens e desvantagens.

Tijolo ecológico é um modelo de tijolo que promove impacto ambiental positivo, reduzindo o consumo de materiais diversos na área de construção e aplicando conceitos de sustentabilidade na sua fabricação e durante a execução da obra.

O tijolo ecológico possui esse nome pois é produzido a partir de resíduos gerados pela construção, permitindo reaproveitamento de grande parte destes materiais.

Tipos de tijolos ecológicos

Vamos conhecer, a seguir, alguns tipos de tijolos que podem ser considerados ecológicos:

Encaixe a seco, de argila

Permitem o encaixe entre peças, que podem ser executadas com pouca ou nenhuma argamassa. Em alguns locais, recebem vergalhões de reforço, para melhorar a capacidade de suporte. Esses blocos cerâmicos não são estruturais, apenas de vedação.

Reaproveitamento de resíduos

Tijolos feitos com resíduos como cinzas do bagaço da cana-de-açúcar, couro, borracha, materiais de descarte da maricultura, fibra de coco do babaçu, dentre outros.

Confira aqui os tipos de resíduos gerados pela construção civil.

Solo-cimento

Blocos que, segundo os apoiadores, podem não utilizar matérias-primas diferenciadas dos demais, mas que economizam energia de produção ao adquirirem resistência mecânica sem a necessidade do aquecimento em forno (processo a frio de manufatura do tijolo).

Diferenças entre um tijolo ecológico e um convencional

A diferença nos materiais utilizados nos blocos cerâmicos ecológicos para os demais vai além da coloração e textura.

Parede de tijolo ecológico
Paredes executadas com tijolo ecológico

As propriedades mecânicas como resistência à compressão e porosidade/permeabilidade certamente são diferenciadas.

Entretanto, como a qualidade dos blocos convencionais já não é tão elevada, tende-se a crer que não seja difícil alcançar bons resultados com as opções alternativas.

Para uso comercial, é importante verificar pesquisas na área científica (anais de congressos ou periódicos nacionais/internacionais) que demonstram como deve ser o manejo de um bloco assim e sua compatibilidade com outros materiais, visto que o caráter experimental e a variabilidade de composições podem levar a diferentes comportamentos quando expostos a argamassas cimentícias ou de gesso, por exemplo.

Nos modelos com encaixe, mesmo apenas cerâmicos, é tradicional o uso de instalações embutidas postas paralelamente ao assentamento, para evitar cortes posteriores, até mesmo porque se evita o uso de argamassa em alguns casos. É um arranjo menos produtivo em termos de mão de obra, mas que reduz a geração de resíduos.

Vantagens do tijolo ecológico

A utilização de blocos cerâmicos ecológicos pode trazer as seguintes vantagens, considerados diferentes pontos de vista:

  • Redução da demanda energética: é um fator importantíssimo em termos de sustentabilidade, pois o setor de geração possui impacto enorme da produção de gases do efeito estufa.

    Muitas soluções sustentáveis, desde a arborização até o posicionamento de esquadrias e brises em relação às posições solares, busca influir em demanda de energia.

  • Aproveitamento de resíduos diversos: reduz problemas ambientais pela dificuldade de descarte de grandes volumes, recolocando esses resíduos na cadeia produtiva e gerando valor para os mesmos.

    Alguns desses resíduos, pela quantidade ou por sua natureza, poderiam se tornar contaminantes de água e de solo.

  • Geração de oportunidades locais: cada resíduo só será efetivamente útil para a produção de blocos com uso local, pois o preço dos tijolos convencionais é baixo frente a outras soluções, e o transporte poderia baixar sua competitividade. Desse modo, um bloco ecológico em uma região do Brasil pode nem ser visto em outra.
  • Contribuir na habitação popular: as soluções não convencionais em peças de alvenaria podem viabilizar assentamentos e melhorar as condições de vida de pessoas em habitações precárias.
  • Melhoria da produtividade: a eliminação de juntas de assentamento promove um ambiente de construção mais limpo e produtivo em paredes de alvenaria de vedação vertical que não possuem instalação elétrica ou hidrossanitária.
  • Facilidade de execução: os formatos de tijolos ecológicos com furação vertical são intuitivos, demonstrando claramente como devem ser encaixados.
  • Redução dos resíduos de construção: quando há a dispensa de cordões de argamassa vertical e horizontal. Não se dispensam, em alguns usos, os pilaretes de canto.

Desvantagens do tijolo ecológico

O uso de um bloco ecológico pode apresentar desvantagens similares às de um bloco convencional ou outras particulares a eles:

  • Desconfiança por parte dos usuários: toda solução inovadora precisa demonstrar sua relevância e aspectos positivos para que venha a ter adesão.

    Como ainda há a cultura de considerar blocos cerâmicos convencionais como materiais estruturais na visão popular e edificar residências de pequeno porte inclusive sem pilares em concreto armado, um usuário leigo pode acreditar ter uma casa mais segura ao usar um bloco comum.

  • Aspectos de custo: o bloco cerâmico é muito barato em nosso país, o que acaba impedindo algumas soluções de racionalização de vingar, como o próprio sistema de encaixe com instalação embutida, que demanda mais mão-de-obra.
  • Melhoria de um sistema construtivo não eficiente: a construção convencional com bloco cerâmico, independente se é ecológico ou não, não é uma boa solução construtiva, demandando muita mão-de-obra, levando a muitas perdas de material, dentre outros inconvenientes.

    Resolve-se dois problemas: a questão de rejeitos locais abundantes e demanda energética, mas não o contexto em si. Seria útil a criação de painéis construtivos, por exemplo, ou blocos de maior área com materiais alternativos, que poderiam ser uma evolução dessas soluções.

  • A perda de matérias-primas que poderiam contribuir em outras áreas: voltando à questão de construção com bloco cerâmico ser ineficiente, colocar qualquer resíduo nela pode contribuir para usar materiais nobres em uma aplicação não-nobre.

    O uso de borracha, por exemplo, teria a finalidade mais nobre de melhorar as propriedades em revestimentos asfálticos modificados, por exemplo.

  • Impossibilidade de uso em paredes de contraventamento: similar aos blocos convencionais, não se pode usar blocos ecológicos em paredes de contraventamento, que contribuem estruturalmente em edifícios de concreto armado.

Quer citar este artigo em seu trabalho? Utilize o modelo abaixo:

PEREIRA, Caio. Tijolo ecológico: o que é, tipos, vantagens e desvantagens. Escola Engenharia, 2019. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/tijolo-ecologico/. Acesso em: 20 de fevereiro de 2019.

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