Piso Intertravado: O que é, principais tipos, vantagens e desvantagens

O piso intertravado é um tipo de pavimento formado por blocos de concreto com intertravamento. Confira o que são, seus tipos, vantagens e desvantagens.

O piso intertravado é um tipo de pavimento em que o revestimento é formado por blocos de concreto com intertravamento por areia de selagem. As cargas a que o pavimento é exposto são distribuídas pelos blocos e resistidas em conjunto, por isso a importância do intertravamento adequado.

Um piso intertravado não se desloca lateralmente quando solicitado, nem rotaciona, nem translaciona. É muito importante que as faces de cada bloco sejam bem produzidas e paralelas, o que também garante o travamento. Esse é um critério de aceitação do material em função desse aspecto.

Eles podem ser utilizados para a pavimentação de ruas, acessos internos e estacionamentos, calçadas e passeios. Em suas extremidades, é necessário inserir elementos de contenção, como cordões em concreto (que podem ser igualmente modulares).

Tipos de pisos intertravados

As variações podem acontecer quanto ao formato do bloco e sua função.

Quanto ao formato, temos:

Piso intertravado retangular
Piso intertravado retangular
Piso intertravado 16 faces
Piso intertravado dezesseis faces
Piso intertravado modelo raquete
Piso intertravado raquete

Ou ainda, quanto à função, os blocos podem ter a função única de revestimento (como os acima apresentados), possuir sinalização podotátil ou produzir áreas de estacionamento com bastante permeabilidade por espaços vazados.

Piso intertravado podotátil direcional
Piso intertravado podotátil direcional
Piso intertravado de alerta
Piso intertravado de alerta
Piso intertravado vazado com grama
Piso intertravado vazado

Realizando projetos mais sustentáveis com pisos intertravados

Os pavimentos de concreto geram impactos significativos no meio ambiente, bem como aqueles com revestimento em concreto betuminoso usinado à quente (CBUQ – asfálticos). Por outro lado, cresce a preocupação com empreendimentos de construção que levem aspectos de sustentabilidade em sua concepção.

Os pavimentos intertravados levam blocos de concreto, mas apresentam algumas vantagens em termos técnicos e de sustentabilidade que os fazem se destacar das demais opções. Os impactos se tornam menores à medida que eles permitem manutenções sem perda de material (são módulos reaproveitáveis), podem ser manejados de forma manual, permitem reduzir escoamentos superficiais (com filtragem no terreno), dentre outras vantagens.

A opção pelos pisos intertravados, desde que adequadamente especificados e escolhidos, corresponde à escolha de um material com menor energia embutida. Isso significa que esse material, ao longo de toda a sua vida útil, irá gerar menor consumo energético se comparado aos demais tipos de revestimento, e isso é extremamente relevante, visto que geração de energia é uma das maiores responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa.

Escolha dos blocos

Dependendo da função daquele pavimento, do aspecto estético que se busca e coloração necessária, será feita a opção por um outro formato de bloco. Quem conhece pavimentos utilizados em ruas pelo país deve ter-se questionado quanto à falta do modelo hexagonal na lista acima.

Este modelo ficou famoso pela baixa qualidade em muitas aplicações, por ter sido produzido simplesmente pela aplicação de concreto simples em forma. Ainda podem existir fabricações manuais seguindo esse modelo, mas elas dificilmente chegarão a bons resultados mecânicos.

Os modelos a serem especificados devem ter produção industrial. Nas fábricas, um concreto com pouca água em seu traço e consistência similar a uma “farofa” é posto em formas e passa por vibroprensagem. Após, sofre cura úmida por vapor em câmaras fechadas.

O fck pode superar os 40 MPa para estes blocos. Segundo a NBR 9781/2013, a resistência à compressão dos blocos mínima para veículos comerciais de linha é de 35 MPa e para solicitações mais pesadas e efeitos de abrasão acentuados, superior a 50 MPa.

Execução

Para a execução de pavimentos intertravados, segue-se o seguinte roteiro:

  1. Caso haja desenhos especiais ou alguma sinalização, com peças diferentes, deve-se elaborar algum desenho técnico com a paginação, para que quem for executar não perca tempo pedindo informações ou pensando a respeito. Os operários da construção gostam de poder produzir.
  2. Checar redes de instalações subterrâneas e compactar o solo de subleito.
  3. Executar base com material britado de espessura mínima de 10 cm e devidamente compactada.
  4. Assentamento de blocos.
  5. Pequenos ajustes e compactação.
  6. Espalhamento da areia de selagem.
  7. Segunda compactação e limpeza.
  8. Liberação do tráfego.

Vantagens dos pisos intertravados

As vantagens no uso desse pavimento são as seguintes:

  • A presença de pigmentos em cores diversas permite explorar diversos acabamentos arquitetônicos, podendo valorizar um parque ou praça. Em termos funcionais, a coloração permite o destaque visual em pisos podotáteis ou a produção de sinalização permanente, reduzindo custos com a manutenção de pinturas (o que rapidamente se perde, em pavimentos asfálticos, em função do tráfego).
  • A integridade do material de revestimento é mantida, o que faz com que ele seja reaproveitável após manutenções, e não apresente problemas funcionais e estéticos (outros pavimentos ficam marcados e se introduzem fissuras que podem levar à deterioração mais rápida).
  • Como as peças são pequenas, evita-se o aparecimento de juntas não planejadas que ocorrem em pavimentos de concreto para o alívio de tensões.
  • A capacidade de reaproveitamento permite não só reutilizar no mesmo local, mas caso haja a necessidade de mudar algum caminho ou acesso, os blocos podem ser realocados. Isso reduz a geração de entulhos e consequente necessidade e custo de disposição.
  • Como componente industrializado, auxilia os empreendimentos de construção por reduzir tempos de fluxo e outras perdas no interior do canteiro de obras, permitindo maior geração de valor ao cliente (princípio da construção enxuta ou lean construction) e enxugar o tempo de entrega.
  • Diminui-se a necessidade ou mesmo se eliminam algumas estruturas de drenagem superficial. Além de se reduzir picos de vazões de enchente à jusante do pavimento, promove-se um efeito natural de filtragem de águas ao passar pelo pavimento. A não acumulação de água sobre o pavimento também o torna mais seguro, principalmente ao refletirmos que caminhos concretados facilmente apresentam concavidades indesejadas.
  • A característica de reaproveitamento obriga o uso de mão de obra com trabalho manual. Considerando instalações diversas mantidas por concessionárias, essa é uma condição que evita graves acidentes como os registrados quando há choques de máquinas de escavação em gasodutos (com máquinas se perde a sensibilidade necessária no manejo, o que levaria ao risco).
  • A estrutura de um piso intertravado é menos espessa do que outros modelos de revestimento, demandando menos de bases e sub-bases para a compatibilização de deformações.
  • Em passeios de jardins ou vagas de estacionamento, a opção vazada com gramíneas pode ser utilizada. Ela possui desempenho térmico similar a uma superfície completamente gramada, permite maior drenagem de águas do que o bloco fechado e estabiliza a superfície.
  • Há boa resistência à manchas de combustível, óleo ou à abrasão.
  • A rugosidade da superfície não é capaz de causar desconforto aos cadeirantes durante as atividades diárias.
  • Logo após estar pronto é possível permitir o tráfego. Isso evita problemas indesejáveis como marcas em profundidade (pegadas, patas, assinatura datada do pedreiro) ou resíduos de pavimento que grudam em veículos.
  • A vida útil considerada em projeto é igual àquela proposta para pavimentos em placas de concreto de cimento Portland, de vinte anos, e superior àquela considerada em pavimentos asfálticos (de até dez anos, desconsiderando excedentes de carga e outros fatores).

Desvantagens dos pisos intertravados

Algumas desvantagens podem ser citadas quando tratamos de intertravados:

  • A presença das antigas peças hexagonais pode levar à desconfiança, por parte de alguns usuários, na escolha dos blocos como opção de revestimento.
  • Pensando no revestimento de ruas urbanas, a tradição cultural brasileira é de considerar pavimento asfáltico como sinal de progresso. O “asfalto” é extremamente importante nas rodovias e locais de alto tráfego, mas está longe de ser a solução ótima para o meio urbano. Entretanto, a característica “eleitoreira” faz com que uma solução pouco flexível, com vida útil e qualidade inferior, dentre outros problemas, seja mais utilizada nesta aplicação do que o piso intertravado.
  • Outro aspecto cultural na execução de calçadas e passeios internos e externos às edificações está na impermeabilização de pavimentos. Alguns profissionais calceteiros podem vir a usar inadequadamente argamassas como rejuntamento dos blocos, diminuindo ou mesmo eliminando seus benefícios.
  • Por mais que haja muitos benefícios ao utilizar intertravados, isso não significa que toda a superfície do terreno deve ser recoberta pelo mesmo. A escolha dos blocos, posição e uso ou não do modelo vazado devem recobrir as áreas necessárias aos deslocamentos internos, permitindo cobertura vegetal nos demais locais. A escolha por recobrimento exagerado leva a maiores custos de execução e menor eficiência de drenagem.
  • Os blocos com interior vazado não podem ser colocados em locais onde haja circulação, apenas em vagas de estacionamento e passeios.
  • A escolha errada de peças de podotátil pode levar ao baixo contraste e dificuldade de utilização ao longo do tempo.
  • A falta de paginação dos revestimentos gera dúvidas aos funcionários responsáveis pela execução. Em geral, em trabalhos mais simples de pavimentação predial, as peças são iguais. Entretanto, se há sinalização ou outros detalhes, isso afeta a produtividade e ela é ainda menor quando não há nenhum detalhamento gráfico e instruções.
  • A modularidade funciona muito bem em superfícies formadas por desenhos retilíneos, em planta. Quando há chanfros a quarenta e cinco graus ou mesmo formas curvas em canteiros ou desenhos, há perdas no revestimento. Essas perdas ocorrem durante o corte com máquinas (serra mármore, esmerilhadeiras) como na retirada/recolocação das peças, que exige cuidado similar à montagem de um quebra-cabeças.
  • Residências e comércios substituem os revestimentos de calçadas e realizam nova compra de revestimentos similares aos anteriores, quando seria possível trocar o contrapiso rígido de concreto ou as pedras naturais pelos intertravados.
  • Quando há baixo tráfego em ruas ou calçadas, de forma similar aos calçamentos em paralelepípedos de rocha, há a formação de vegetais entre os blocos cheios (não vazados). Essa pode ser uma característica incômoda para o usuário que crê que não pode haver quaisquer sinais de verde e torna esse um motivo de manutenções extras.
  • Acessos por escadas e com degraus curtos não podem ser feitos em intertravados, pela falta de contenção, limitando-os aos acessos por rampa.
  • Os benefícios de drenagem serão inefetivos dependendo da configuração das camadas inferiores. Houve casos, em nosso país, onde utilizou-se o intertravado com partes vazadas sobre lajes que recobriam subsolos, apenas com a finalidade de cumprir leis de permeabilidade propostas por códigos de obras.

Quer citar este artigo em seu trabalho? Utilize o modelo abaixo:

PEREIRA, Caio. Piso Intertravado: O que é, principais tipos, vantagens e desvantagens. Escola Engenharia, 2018. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/piso-intertravado/. Acesso em: 11 de dezembro de 2018.

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